O diagnóstico definitivo costuma ocorrer no ultrassom morfológico do segundo trimestre, entre 18 e 24 semanas. Sinais indiretos podem ser percebidos já no primeiro trimestre por operadores experientes.
Espinha bífida é o termo geral que engloba diferentes graus de fechamento incompleto da coluna. A mielomeningocele é a forma mais grave — com herniação da medula — e é a que tem indicação de cirurgia fetal.
O primeiro passo é buscar avaliação em centro especializado. Não é necessário esperar o laudo impresso. Evite buscar informações em fontes não especializadas antes de conversar com um especialista — a maioria das informações disponíveis refere-se a casos tratados após o nascimento e não reflete a realidade atual.
Não. A cirurgia fetal não cura a mielomeningocele — a malformação da coluna é permanente. O que a cirurgia faz é interromper a progressão das lesões neurológicas que seriam causadas pela exposição da medula ao líquido amniótico até o final da gravidez. O bebê nasce com a condição, mas com função neurológica preservada em grau muito maior.
Não. A cirurgia reduz significativamente as sequelas, mas não as elimina. As funções comprometidas antes da cirurgia não são recuperadas. O objetivo é preservar o máximo de função existente no momento do procedimento.
Para o feto: parto prematuro ao redor da 34ª semana. Para a mãe: com a SAFER, os riscos são substancialmente menores do que na técnica aberta. O principal risco é o trabalho de parto prematuro no pós-operatório. E não há risco de ruptura uterina em gestações futuras, podendo a gestante ter parto normal, se for seu desejo.
Operar antes da 26ª semana aumentaria o risco de prematuridade extrema sem benefícios neurológicos adicionais. A janela de 26–28 semanas representa o melhor equilíbrio entre proteção neurológica e risco de prematuridade.
Não existe nenhum dado confiável mostrando que existe melhor neuroproteção, nem relacionadas a capacidade de andar, nem a necessidade de colocar válvula para hidrocefalia. Nossos dados comparados com o estudo MOMS sugerem que não há diferença, se é que não há melhora em aguardar as 26 semanas. O equilíbrio entre proteção neurológica e risco de prematuridade extrema, ao nosso ver, não se justifica.
Depende principalmente do nível funcional no momento da cirurgia, o nível motor. Hoje sabemos que o nível anatômico pouco ou nada importa, a movimentação que o bebê apresenta antes de operar vai se manter. Com a Técnica SAFER, 49% das crianças andaram independentemente aos 30 meses, aumentando para 60% depois dos 5 anos. A ultrassonografia pré-natal permite não só avaliar a motricidade dos membros inferiores, mas consegue dar uma boa estimativa das chances do bebê andar.
O MOMS utilizou a técnica aberta com sutura direta da dura-máter, que cicatriza formando tecido aderente — responsável pela síndrome da medula presa em 27% dos casos, aos cinco anos de idade. Com a biocelulose que define a Técnica SAFER biocelulose, a taxa caiu para 11%, o que explica por que o percentual de crianças deambulando aumenta com o tempo, já que a medula presa é a principal causa de parar de andar entre 30 meses e 5 anos, no estudo MOMS.
Com a cirurgia fetal, a necessidade de DVP é reduzida em ~50% (estudo MOMS). Com a SAFER, talvez pela maior taxa de reversão do Chiari II, essa redução foi significativamente menor, chegamos a 31%.
A maioria não precisa de nova cirurgia para fechar o defeito ao nascer — a correção foi definitiva. Algumas crianças poderão precisar de DVP para hidrocefalia, cirurgias ortopédicas ou liberação de medula presa (apenas 11% com a SAFER).
Sim, nossos resultados de longo prazo mostram um terço menos medula presa que o estudo MOMS em mais de 80 casos acima de 6 anos de idade. Podemos afirmar que no seguimento após a idade escolar também somos significativamente melhores que o MOMS.
Sim. Como a cirurgia é percutânea, sem abertura do abdome ou útero, não há cicatriz que contraindique o parto vaginal — tanto na gestação operada quanto em todas as futuras. Isso contrasta diretamente com a técnica aberta, que obriga cesárea em todas as gestações dali pra frente..
Com a Técnica SAFER, não há restrição especial para gestações futuras em virtude da técnica. Com a técnica aberta, seria necessário aguardar pelo menos 2 anos.
Sim, o risco de recorrência é de ~3 a 5% (contra 0,1 a 0,2% na população geral). Recomenda-se suplementação com 4 mg de ácido fólico por dia pelo menos 3 meses antes da próxima concepção.
A decisão sobre a técnica cirúrgica deveria ser especialmente da mãe e da família. Na prática, essa escolha muitas vezes é definida pela fonte pagadora ou pelo cirurgião responsável, sem que a mulher tenha acesso a todas as opções disponíveis. E essa informação importa.
Como obstetra, eu desenvolvi a Técnica SAFER com foco na maior preservação possível do corpo materno, considerando os riscos que ocorrem numa rotura uterina durante a gestação — onde 50% das vezes ocorre a morte do feto.
O desenvolvimento cognitivo costuma ser normal. A fisioterapia deve ser iniciada desde o primeiro mês. O acompanhamento multidisciplinar deve ser mantido ao longo de toda a infância. Muitas crianças frequentam escolas regulares e, na vida adulta, têm uma vida independente e produtiva.
A teleconsulta está disponível para primeiro contato e discussão inicial. Depois a ultrassonografia será realizada pela Dra. Denise e sua equipe, para uma avaliação completa e planejamento cirúrgico. Entre em contato pelo WhatsApp de acolhimento para orientações.