Como funciona

Cirurgia fetal

Cirurgia fetal

O feto como paciente

A medicina fetal moderna compreende o feto como um paciente com direito a diagnóstico e tratamento. Com o avanço da ultrassonografia de alta resolução e das técnicas minimamente invasivas, diversas condições fetais que antes levavam à morte ou à grave incapacidade podem ser tratadas ainda durante a gestação, com benefícios documentados para o desenvolvimento da criança.

A evidência científica

O estudo MOMS

O Estudo MOMS (Management of Myelomeningocele Study), publicado no New England Journal of Medicine em 2011, foi o marco científico que consolidou a cirurgia fetal como padrão de cuidado na mielomeningocele. Tratou-se de um ensaio clínico prospectivo, randomizado e multicêntrico, conduzido em três centros nos Estados Unidos (Vanderbilt University, Children’s Hospital of Philadelphia e University of California, San Francisco), com aprovação do NIH.

O estudo randomizou 183 gestantes para cirurgia fetal entre 19 e 25 semanas (n=91) ou cirurgia pós-natal (n=92).

Principais
resultados:

Redução de 50% na necessidade de DVP para hidrocefalia (40% vs. 82% aos 12 meses)

Dobro de chance de o bebê andar de forma independente aos 30 meses (42% vs. 21%)

Melhora significativa do desenvolvimento neurológico geral (Bayley Scales)

Reversão da malformação de Arnold-Chiari II em 64% dos casos

Os três tipos de

Cirurgia fetal

01

Cirurgia Fetal Aberta
(Histerotomia)

Técnica utilizada no estudo MOMS. Requer laparotomia (abertura do abdome materno) e histerotomia (corte no útero). Apresenta resultados comprovados, mas com riscos significativos: cicatriz uterina frágil, risco de ruptura em gestações futuras, cesárea permanente obrigatória e intervalo mínimo de 2 anos entre gestações. Não utiliza biocelulose.

02

Fetoscopia Assistida
por Laparotomia

O abdome materno é aberto, mas a correção é realizada por instrumentos fetoscópicos. Reduz alguns riscos em relação à histerotomia, mas ainda requer abertura abdominal. Não utiliza biocelulose.

03

Técnica SAFER — Fetoscopia
Percutânea

Desenvolvida pela Dra. Denise Lapa. Não requer abertura do abdome nem do útero. Combina o menor risco materno com os melhores resultados neurológicos fetais, graças ao uso da biocelulose. Descrita em detalhes na página da Técnica SAFER.

Antes da cirurgia

Avaliação e preparação

Após a indicação cirúrgica confirmada, a gestante realiza avaliação pré-operatória completa: exames laboratoriais, avaliação clínica e avaliação anestésica. O procedimento é realizado no Centro Cirúrgico do Hospital Israelita Albert Einstein, com equipe de cirurgia fetal, composta por três médicos e uma instrumentadora dedicada, neurocirurgia, e anestesia obstétrica dedicada.

Após a cirurgia

Recuperação e acompanhamento

Internação de 48 a 72 horas para observação. Repouso relativo no pós-operatório — a gestante normalmente não retorna ao trabalho. Ultrassonografias de controle, avaliando vitalidade fetal, líquido amniótico e retorno do cerebelo à sua posição normal. A equipe mantém comunicação ativa com a equipe obstétrica local.

O parto após a

Técnica SAFER

Com a Técnica SAFER, o parto vaginal é permitido — tanto na gestação operada quanto em todas as gestações futuras. Os bebês tendem a nascer ao redor da 34ª semana. O parto deve ocorrer em hospital com UTI neonatal. A equipe orienta os profissionais locais sobre os cuidados específicos para recém-nascidos com mielo operada intra-útero.

Após o nascimento

Cuidados iniciais

1

A maioria dos bebês não precisa de nova cirurgia para fechar o defeito — a correção foi definitiva intra-útero. Recomendamos apenas curativo específico na primeira semana.

2

Avaliação neurocirúrgica.

3

Ultrassom transcraniano para medir os ventrículos.

4

Início precoce da fisioterapia, idealmente no berçário.

5

Em caso de febre, sempre pensar em infecção urinária.

6

Todos os especialistas da nossa equipe envolvidos no seguimento de crianças com mielo estão disponíveis para teleconsulta: neurocirurgião, urologista, ortopedista, pediatra, especialista em intestino neurogênico etc.

7

Ultrassonografia dos rins e da bexiga, a cada 3 meses no primeiro ano de vida.

Nosso acompanhamento não termina depois da cirurgia, temos um canal de comunicação com todos os casos que operamos e um grupo de familiares que se ajudam mutuamente.

Dê o primeiro passo

Se você recebeu o diagnóstico de mielomeningocele, não espere.

Quanto mais cedo você buscar a avaliação especializada, mais tempo terá para planejar e tomar decisões informadas.

A Gabriela, nossa técnica de enfermagem especialista em mielomeningocele, responde pelo WhatsApp em horário comercial, inclusive aos sábados e domingos. Ela vai tirar suas dúvidas iniciais e agendar sua consulta.

Dra. Denise Lapa

Contato

Teleconsulta disponível para pacientes de outras cidades. Não substitui a consulta presencial com ultrassonografia, mas permite uma primeira avaliação e orientação do caso.

Hospital Israelita Albert Einstein

Av. Albert Einstein, 627 – 4º andar
(Medicina Fetal) Morumbi, São Paulo – SP