Doenças do Feto: Outros tipos de doenças entre gêmeos

 

Transfusão feto-fetal (TTTS) - Transfusão entre gêmeos

 

Gêmeos idênticos podem trocar sangue entre si sendo necessário separar, através de cirurgia endoscópica fetal, as conexões placentárias responsáveis pela troca.

Sem cirurgia os fetos têm apenas 10% de chance de sobreviver. Com a fetoscopia (cirurgia endoscópica), onde se coagula com laser os vasos comunicantes na superfície da placenta, a sobrevida de pelo menos um dos fetos chega a 90%.

A síndrome de transfusão feto-fetal (STFF) ocorre em 15 a 20% das gestações monocoriônicas (placenta única), estimando-se portanto uma incidência de aproximadamente 1 em cada 1500 gestações.

 

A troca de sangue entre os gêmeos leva um feto a se tornar “doador” (anêmico e com pouco líquido amniótico) e o outro “receptor” (policitêmico e com excesso de líquido amniótico), nesta situação ambos ficam submetidos a sobrecarga cardíaca, correndo risco de vida. Lado esquerdo- Feto receptor - Notar a sua cor mais rosada, pois ele tem mais sangue circulando e lado direito- Feto doador - Notar a sua cor mais pálida, pois ele tem menos sangue circulando, está com anemia.

 
 

O diagnóstico da Transfusão Feto-Fetal

 

O diagnóstico é realizado através de ultrassonografia obstétrica a partir de 15-16 semanas, quando se observa discrepância de volume de líquido entre as bolsas, polidrâmnio em uma e oligoâmnio na outra, além de discrepância também entre os volumes das bexigas fetais. No primeiro trimestre (11 a 14 semanas) já podem surgir sinais de alto risco, como uma grande diferença entre a medida da translucência nucal dos fetos.

A doença decorre do desequilíbrio no fluxo sanguíneo entre as anastomoses placentárias, o feto que recebe menos sangue se torna o doador e o que recebe mais sangue será o feto receptor.

Para o diagnóstico da transfusão é necessário medir o líquido amniótico que fica diferente nas bolsas, o maior bolsão do feto receptor deve medir mais que 6,0 cm com 16 semanas, mais que 7,0 cm com 17 semanas e mais que 8,0 cm a partir de 18 semanas. O feto doador, deve ter menos que 2,0 cm de medida do maior bolsão de líquido. Discrepância entre as bexigas, uma muito cheia e outra muito vazia. O estadiamento varia de 1 a 5 dependendo da gravidade da doença.

O diagnóstico diferencial da transfusão feto-fetal pode ser difícil, mesmo para o operador mais experiente. Desta forma, sempre que houver discrepância entre as bolsas de líquido amniótico em caso de gestação gemelar, recomendamos a avaliação por profissional especializado em medicina fetal.

Indicação de cirurgia fetal

  • A cirurgia fetal é considerada uma urgência frente a este diagnóstico, pois a evolução para uma situação muito grave pode ser muito rápida. Como ambos os fetos estão submetidos a uma sobrecarga, pode ocorrer a morte de qualquer um deles.

  • A cirurgia fetal, fetoscopia, tem como objetivo cessar a troca de sangue através de coagulação dos vasos placentários (anastomoses placentárias) responsáveis pela transfusão.

  • A cirurgia é realizada por um “furo” através da barriga da gestante, que permite que uma câmera e um fibra de laser entrem juntas dentro do útero, permitindo não apenas imagens ao vivo dos bebês, mas também dos vasos da placenta que devem ser coagulados.

Fetoscopia para tratamento da transfusão feto-fetal.
O ultra-som é utilizado para guiar o procedimento (em destaque).

Outros tipos de transfusão entre gêmeos

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